Lacraias
Tipos de lacraias

O que são lacraias e como se comportam
As lacraias são artrópodes pertencentes ao grupo dos quilópodes e chamam atenção pelo corpo alongado e repleto de pernas. São predadoras venenosas que utilizam suas presas modificadas, chamadas forcículas, para injetar toxinas e paralisar as presas. Embora assustem pela aparência, têm um papel importante no equilíbrio ecológico, já que ajudam a controlar a população de insetos e outros pequenos animais.
Características gerais das lacraias
As lacraias apresentam corpo segmentado e alongado, com um par de pernas em cada segmento. Dependendo da espécie, podem variar de 15 até 177 pares de pernas, o que lhes dá grande velocidade e agilidade. Além disso, possuem antenas longas e sensíveis, que funcionam como radares naturais, ajudando a localizar alimento e a se orientar em ambientes escuros.
Outro ponto marcante são as forcículas, estruturas semelhantes a presas localizadas próximas à boca. Elas estão ligadas a glândulas de veneno, que permitem imobilizar e matar rapidamente presas pequenas. Essa combinação de características faz das lacraias predadores eficientes e adaptáveis a diferentes ambientes.
Alimentação e hábitos noturnos
As lacraias são carnívoras e caçam principalmente insetos, aranhas e minhocas, o que as torna aliadas naturais no controle de pragas. Sua estratégia de caça é ativa e, por isso, estão sempre em movimento durante a noite, período em que encontram maior abundância de presas.
Em espécies maiores, não é raro que também capturem pequenos vertebrados, como lagartixas ou filhotes de roedores. Essa dieta variada explica sua capacidade de sobrevivência em ambientes urbanos e rurais, sempre em locais úmidos e escondidos, longe da luz do dia.
Locais onde costumam se abrigar
Esses animais preferem ambientes escuros, úmidos e com bastante material orgânico, que servem como abrigo e fonte de alimento. Frestas em paredes, ralos de banheiro, jardins com excesso de umidade e pilhas de madeira ou entulhos são locais ideais para que se escondam.
Além de servirem de abrigo, esses espaços também concentram presas, o que torna o ambiente ainda mais atraente. Por isso, manter a casa bem ventilada, higienizada e sem acúmulo de materiais é uma forma simples e eficaz de reduzir a presença de lacraias.
Principais tipos de lacraias encontradas no Brasil
No Brasil, existem diversas espécies de lacraias, mas algumas se destacam por serem mais comuns e fáceis de identificar em ambientes urbanos, jardins e até áreas rurais. Elas variam bastante em tamanho, cor e nível de agressividade, o que torna importante conhecer suas principais características para identificar riscos e saber como lidar com cada uma delas.
Lacraia doméstica (Scolopendra viridicornis)

A lacraia doméstica é uma das mais comuns em áreas urbanas e pode ser encontrada facilmente dentro de casas ou quintais. Mede entre 10 e 15 centímetros, tem o corpo marrom e patas amareladas, características que a tornam fácil de reconhecer. Apesar de seu tamanho, não costuma ser a mais perigosa entre as espécies.
Ela apresenta comportamento moderadamente agressivo, atacando apenas quando se sente ameaçada. Sua picada pode causar dor e inchaço, mas raramente gera complicações graves. Ainda assim, é recomendável evitar o contato e manter os ambientes limpos e bem ventilados para reduzir a chance de encontrá-la.
Lacraia gigante (Scolopendra subspinipes)

Entre as espécies mais impressionantes, a lacraia gigante pode ultrapassar os 20 centímetros de comprimento. Seu corpo apresenta coloração variada, que pode incluir tons de vermelho, laranja e preto, o que a torna visualmente chamativa e intimidadora. Essa espécie é mais comum em regiões tropicais e úmidas.
Além do tamanho, chama atenção pelo comportamento agressivo e pelo veneno mais potente em comparação a outras lacraias. Sua picada pode ser extremamente dolorosa e provocar reações intensas. Por isso, o contato direto deve ser evitado a todo custo, e em caso de acidente, a recomendação é procurar atendimento médico.
Lacraia de jardim (Otostigmus spp.)

A lacraia de jardim é bem menor do que outras espécies, medindo entre 5 e 10 centímetros. Tem o corpo mais fino e ágil, adaptado para se mover rapidamente entre plantas e folhas. Como o próprio nome indica, é mais comum em áreas externas, especialmente em vasos de plantas, canteiros e gramados.
Apesar de menor, ainda pode assustar quem a encontra. Seu veneno é menos potente, mas a picada pode causar dor local e irritação. Manter o jardim limpo, sem excesso de umidade e com a vegetação controlada, é uma forma eficaz de evitar sua presença.
Outras espécies menos comuns

Além das mais conhecidas, existem espécies menores e discretas, como as do gênero Cryptops spp., que são rápidas e frequentemente encontradas sob pedras ou restos de madeira. Elas costumam medir poucos centímetros e não representam grande perigo, embora possam picar se manipuladas.
Outro grupo é o das Geophilomorpha, caracterizadas pelo corpo muito longo e fino, com dezenas de pares de patas. São vistas principalmente no solo, sob troncos ou em locais úmidos com bastante matéria orgânica. Embora menos agressivas, também devem ser evitadas para prevenir acidentes.
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